terça-feira, 12 de maio de 2020

Em tempo de isolamento, quem tenho sido

Muitos têm tirado esse tempo para perguntar a si mesmo, ''qual a minha real utilidade? Quem tenho sido? O que tenho feito?''. Claro que não é convencional essa pergunta vir a tona em sã consciência, mas sim através de suas ações e sentimentos e é exatamente daí que devemos nos colocar em reflexão para tirar do nosso subconsciente, respostas para tomarmos medidas conscientes.

Em primeiro lugar devemos entender que a alegria não é um estado, é uma condição, assim como a dor, não temos dor, mas estamos com dor, ou sobre a humildade, nós não estamos humildades, mas somos humildes.
A felicidade só tem seu devido valor graças a ausência do que/de quem nos dá prazer, do contrário, não daríamos devida importância. Você provavelmente já se sentiu feliz assistindo um filme em companhia de alguém muito especial, isso por sua vez ficou marcado, mas imagine-se assistindo o mesmo filme ao lado da mesma pessoa todos os dias. Certamente aquilo que te proporcionou um momento maravilhoso se tornaria um verdadeiro pesadelo. Lembro-me quando fui convidado para tocar na casa de festas do diretor da Globo Wolf Maya no Rio de Janeiro, ficaríamos 1 mês durante as olímpiadas tocando para pessoas da socialite. Quando chegamos lá, a vista da casa em frente ao mar, todo o luxo e requinte me proporcionou uma realização incompreensível para muitos, mas com o tempo, tudo aquilo foi caindo na rotina, a vista que antes era uma novidade aos meus olhos, eu já não admirava mais, e em menos de 1 mês, não via a hora de voltar pra casa.

Onde quero chegar?
Talvez com a monotonia dos seus dias te leve a pensar que você não é feliz, não está realizado, que as condições que se encontra não são favoráveis para te proporcionar ''felicidade'', quando na realidade, tudo isso não passa de circunstâncias que farão você dar mais valor à tudo/todos que estavam em sua antiga rotina. As piadas sem graça do fulano que trabalha junto com você. Do por do sol que você estava sempre vendo no caminho do trabalho. Das refeições improvisadas nos dias mais corridos. Até mesmo daquela música que você não aguentava mais ouvir nas festas. mas hoje daria tudo pra voltar nos lugares onde essa música tocava.

Tudo é uma questão de percepção, de ponto de vista, mas a grande chave para um bom convívio consigo mesmo é fazer do seu tempo - momentos produtivos, pois do contrário, o que te faltava não era tempo, mas sim vontade própria.


''A felicidade está nos pequenos detalhes e gestos momentâneos. Se você procura a felicidade em tempo integral, será a pessoa mais infeliz de todas''.



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